SONHANDO COM A ARTE

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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

FREINET E A LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

FREINET E A LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Patrícia Alves de Lima 
Profª. Drª. Lêda Gonçalve de Freitas 


RESUMO:
Este artigo reflete sobre a importância de Freinet na ludicidade. Especificamente, busca compreender as influências deste teórico na fundamentação da ludicidade na Educação infantil. Para alcance dos objetivos foi realizado uma pesquisa bibliográfica envolvendo o lúdico e os principais conceitos da proposta pedagógica de Freinet. Na primeira parte do artigo destaca-se a ludicidade, sua evolução histórica e o seu papel na educação infantil. Em 
seguida, busca-se apresentar a proposta pedagógica de Freinet e relacionar o pensamento do autor com o lúdico. As conclusões desse estudo teórico são: A importância das ideias de Freinet para potencializar cada vez mas a ludicidade na educação Infantil. A presença constante da proposta pedagogia de Freinet nas salas de aula. 


Palavras- chaves:. Freinet, Lúdico e Educação Infantil. 


LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
O lúdico é um assunto que está se propagando cada vez mais com os passar dos anos. A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. Neste brincar estão incluídos os jogos, brinquedos, divertimentos e passatempos. É possível encontrar em livros de histórias relatos que comprovam que, em todas as épocas, os Homens tinham suas formas de brincar e  se divertir (momentos lúdicos). 
Segundo Almeida (1997) o marco da questão da ludicidade é a Grécia, onde Platão já  afirmava que os primeiros anos da criança deveriam ser ocupados com jogos educativos,  praticados pelos dois sexos, em jardins de crianças. Segundo o pensamento grego a educação  deveria começar aos sete anos de idade. Naquela época o esporte era bastante difundido e  tinha valor educativo e moral. Até mesmo entre os romanos e maias, os jogos eram uma  maneira para que os mais velhos transmitissem seus conhecimentos e valores para as gerações mais novas. 
Porém, para o cristianismo, o jogo já foi considerado como sinônimo de profano e  imoral. Somente a partir do século XVI é que os jesuítas começaram a perceber o valor  educativo dos jogos e da ludicidade, considerando-os pertinente para a prática educativa em  seus colégios. 
Os padres compreenderam desde o início que não era possível nem desejável  suprimi-los ou mesmo fazê-los depender de permissões precárias e vergonhosas. Ao contrário, propuseram-se a assimilá-los e a introduzi-los oficialmente em seus  programas e regulamentos e controlá-los. Assim, disciplinados os jogos, 
reconhecidos como bons, foram admitidos, recomendados e considerados a partir  de então como meios de educação tão estimáveis quanto os estudos. (ARIÉS, 1978,  p.112-113).
Segundo Cunha (1994), o adulto trabalhador de amanhã é, hoje, a criança que brinca  muito. A criança que hoje participa de jogos e brincadeiras, saberá trabalhar em grupo  amanhã. Se hoje aprende a aceitar as regras do jogo, amanhã será capaz de respeitar as 
normas sociais. Assim, pode-se afirmar, que o lúdico é um assunto que esteve presente na história da  humanidade, adquirindo destaque no campo educativo especialmente nas últimas décadas. 
São inúmeros pesquisadores que estudaram a questão da ludicidade com a finalidade de  compreendê-la melhor. Estes estudos não se restringiram apenas à área da educação,  alcançando a psicologia, fisiologia e sociologia, dentre outras áreas. Segundo Negrine 1997),  muitos pensadores pós-modernos admitem que o terceiro milênio é o da ludicidade, pois esta  é uma necessidade realmente humana, tendo em vista que proporciona elevação dos níveis de 
uma boa saúde mental. Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), as políticas e as  discussões relacionadas à Educação ganharam força, culminando, num primeiro momento,  com as propostas dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN’s e das Diretrizes  Curriculares Nacionais. A partir de então, fomentou-se os questionamentos e debates acerca 
da Educação e de seu contexto político e social, fazendo com que no grupo de educadores de  todas escolas do Brasil os métodos e conteúdos pedagógicos que vinham sendo utilizados com 
seus alunos fossem repensados. Durante estes debates, a atividade lúdica ganhou importância  como estratégia para construção do conhecimento.
Ao debater a formação do educador com um olhar voltado para o lúdico no processo de aprendizagem, o primeiro obstáculo a ser enfrentado é a formação profissional destes educadores, pois os cursos de licenciaturas, em geral, não propõem esta discussão como central em seus currículos, formando, assim, educadores incompletos.
Conforme indica Santos (1997), a formação lúdica possibilita ao educador: conhecer-se como pessoa, saber suas possibilidades e limitações, ter visão sobre a importância do jogo e 
do brinquedo para a vida da criança, jovem e do adulto.
Aos profissionais de diferentes áreas, comprometidos com o processo de formação e educação social, cabe-lhes a responsabilidade de forjar um saber especial, um 10
saber que estimule e motive os sujeitos sociais a alegria de estar no mundo. Ao absolver o sonho, a fantasia, a alegria, como elementos de complementaridade e harmonização dos saberes na vida, melhora-se, também, a qualidade da vida, na 
medida em que amplia-se o horizonte de possibilidades das relações sociais, interações e formas de comunicação, permitindo sentimentos de segurança que levam afloram manifestações de curiosidade, ludicidade, responsabilidade e felicidade (FRANÇA, 2000, p. 8).
O professor não pode se conformar com a realidade social de sua comunidade, mas, antes de tudo, deve assumir seu papel como cidadão, capaz de intervir e melhorar a realidade. 
Infelizmente, devido à má formação dos educadores, as atividades artísticas e culturais, assim  como as recreativas, na maioria das vezes só são utilizadas pelos professores quando não 
planejaram nada para ensinar.
O lúdico quando utilizado como recurso pedagógico na aprendizagem, deve ser encarado de forma séria, competente e responsável. Usado de maneira correta, poderá oportunizar ao educador e ao educando, importantes momentos de aprendizagens. Quando um educador está interessado em gerar mudanças, encontra na proposta do lúdico uma  metodologia que pode contribuir para diminuir os altos índices de fracasso e evasão escolar e evasão nas escolas. 
É necessário, portanto, que as escolas de Educação Infantil incluam a ludicidade em suas propostas pedagógicas. Quando se fala em uma escola lúdica, é normal que muitas pessoas pensem em uma escola diferente das escolas tradicionais, mais isso não é 
necessariamente verdade. Segundo Antunes (1997) durante anos confundiu-se “ensinar” com “transmitir”. Em um contexto onde o aluno é um ser passivo e o professor o transmissor, este 
é o único que possui conhecimento e tem como missão transmiti-lo, cabendo ao aluno compreender esse conhecimento. O resultado é que quando o professor não obtém sucesso 
nesta aprendizagem, a incompetência é do aluno.
Uma escola lúdica tem como finalidade desenvolver habilidades físicas e intelectuais, formar alunos críticos, criativos, conscientes e promover a interação social e, acima de tudo, 
despertar em seus alunos o gosto pela escola, pelo estudo, pela busca por novos conhecimentos, criando assim um elo muito forte entre o aluno e a escola. 
Uma escola lúdica é onde o aluno sente prazer em estudar, em aprender coisas novas nas diferentes áreas do conhecimento: matemática, português e ciências entre muitas outras. 
Para que isto ocorra o ambiente deve ser bastante acolhedor não só para os alunos, mas também para os professores, pais e familiares dos alunos. Na sala de aula o aluno deve ter 
acesso a livros, revistas, gibis e jornais. Os corredores e murais da escola devem ser utilizados  para expor as atividades desenvolvidas pelos alunos como uma forma de valorizar os seus 11 trabalhos. A escola deve planejar projetos que envolvam os alunos com a realidade de sua  comunidade, promovendo assim a interação aluno e realidade, como também incentivar a  prática de atividades esportivas, onde os alunos poderão adquirir hábitos de higiene pessoal e outros valores.
Por intermédio do lúdico, a criança encontra o equilíbrio entre o real e o imaginário. 

Para Kishimoto (2007) brincando as crianças aprendem a cooperar com os companheiros, obedecer às regras do jogo, respeitar os direitos dos outros, acatar a autoridade, assumir responsabilidades, aceitar penalidades que lhe são impostas, dar oportunidades aos amigos e com isso tudo a criança aprender a viver em sociedade.
O brincar é agradável por si mesmo, aqui e agora. Na perspectiva da criança, brinca-se pelo prazer de brincar, e não porque suas conseqüências sejam eventualmente positivas ou preparatórias de alguma outra coisa. No brincar, objetivos, meios e resultados tornam-se indissociáveis e enredam a criança em uma 
atividade gostosa por si mesma, pelo que proporcionou no momento de sua realização. Este é o caráter autotélico do brincar. Do ponto de vista do desenvolvimento, essa característica é fundamental, pois possibilita à criança aprender consigo mesma e com os objetos ou pessoas envolvidas nas brincadeiras, 
nos limites de suas possibilidades e de seu repertório. Esses elementos, ao serem mobilizados nas brincadeiras, organizam-se de muitos modos, criam conflitos e projeções, concebem diálogos, praticam argumentações, resolvem ou possibilitam o 
enfrentamento de problemas (MACEDO, 2005, p. 14).
Segundo Santos (1999) é possível perceber que o brincar está presente em todas as  dimensões da existência humana e, principalmente, na vida das crianças. Assim, brincar é 
viver, e as crianças brincam porque esta é uma necessidade básica, assim como a nutrição, a saúde, a habitação e a educação. 


No Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) a lúdicidade está diretamente ligada com o educar, cuidar e o brincar. No universo infantil por meio da ludicidade a criança consegue se desenvolver com mais facilidade. De acordo com o RCNEI:
É no brincar que a criança conhece os diferentes vínculos entre as características do papel assumido, suas competências e as relações que possuem com outros papéis, tomando consciência disto e generalizando para outras situações (RCNEI, 2001, p.28).
Durante uma brincadeira a criança cria seu mundo de faz-de-conta, sempre próximo a realidade do mundo dos adultos. Nestes momentos lúdicos a criança é capaz de vivenciar as 
normas sociais, e adquirir comportamentos mais avançados daqueles que possui no seu cotidiano, fazendo assim com que a criança consiga ampliar cada vez mais seu conhecimento 
por meio dessas brincadeiras. O RCNEI estabelece como fator fundamental para incorporar a brincadeira no ambiente escolar, a importância de professores atualizados que compreendam 
de forma clara os processos de aprendizagem e do desenvolvimento infantil. Durante o ato de brincar é possível trabalhar os aspectos afetivos, cognitivos e sociais.
É necessário que o lúdico seja incorporado no ambiente escolar, para melhorar ainda mais a educação brasileira, tantos estudos são feitos e cabe aos profissionais da educação estarem em constate atualização para modificarem sempre que necessário os seus 

planejamentos educacionais.

CORES... MIL CORES...

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2014 ..."SOU CRIANÇA ...SOU ARTEIRO ...SOU ARTISTA"...

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